Memória Paranapanema - Usina Jurumirim e Usina Chavantes - Genésio Bertiol http://www.memoriaparanapanema.com.br/midia/Genesio.mp4

Genésio Bertiol

"Meu nome é Genésio Bertiol. Eu nasci no dia 24 de julho de 1931 na cidade de Sarutaiá, que não é longe de Piraju, aqui no Estado de São Paulo. Os meus pais eram Ernesto Bertiol e Maria Capituline. Irmã eu tenho uma só, somos um casal. Somos tudo descendente de italiano. O meu pai, toda vida, trabalhou com caminhão, não de transporte porque, no tempo dele, não se falava nisso. E minha mãe era doméstica.

Naquele tempo, era muito difícil ir para a escola, porque não tinha ou era muito longe. Além disso, era caro e a gente não tinha dinheiro, era uma pobreza extrema. Então eu não estudei nada, nada mesmo. Por isso eu trabalhava com meu pai. Trabalhei com ele até entrar na CPFL Santa Cruz, Companhia Paulista de Força e Luz, Santa Cruz. Eu entrei lá ainda moço, menor de idade, e trabalhava na fábrica de transformadores, aqueles de poste. Não é como hoje, mas existia uma pecinha que transformava toda a energia, que era o transformador. Eu participava da parte de montagem e depois da instalação. A gente ia ao almoxarifado e requisitava o material: chapa, madeira e etc. Dali saía um transformador.

O dono da Santa Cruz era o doutor Nélson Godoy. Toda a parte energética de Londrina era dele. E ele tinha umas usinas que ficavam lá no meio do mato. E acabei prestando serviço lá, mais ou menos em 1962. Uma máquina tinha quebrado e eu fui junto com uma equipe trabalhar lá. Acho que ele gostou do meu trabalho, porque falaram: “Genésio, você quer entrar na Usina de Jurumirim? Eles tão fichando, fazendo um quadro de funcionários.” E eu fui, fiz a ficha, tudo certinho, e me chamaram para trabalhar. Então, por volta 1963, fui para Jurumirim, que na época pertencia à USELPA, Usinas Hidrelétricas do Paranapanema. Lá eu recebi uma casa na vila da usina, porque eles acharam que pelo que eu fazia deveria ter direito a casa.
Morei em Jurumirim por um ano. Depois saímos de lá, só ficaram os operadores. Nós fomos para a Usina de Salto Grande, em um núcleo de funcionários que a USELPA criou. Lá em Salto Grande, fazíamos manutenção em Jurumirim, na subestação de Botucatu, de Flórida Paulista e em várias outras usinas. A de Capivara não existia ainda. Morei nesse lugar uns dez anos, na casa número nove, sempre viajando. Mais ainda quando passei para a área de transporte. Como a empresa tava com problemas nessa parte, o doutor Inácio Resende, o gerente de lá, disse: “Genésio, você vai pegar o transporte. Você vai ter que viajar e tal.” E eu aceitei e fiquei no transporte por 17 anos. " (Trechos da entrevista realizada em 19/06/2012)