Memória Paranapanema - Usina Salto Grande - Edmilson Gomes da Silva http://www.memoriaparanapanema.com.br/midia/Edmilson.mp4

Edmilson Gomes da Silva

"O meu nome é Edmílson Gomes da Silva, mas durante todo o meu tempo na empresa, o pessoal me conhecia por “Barba”. Era mais fácil. Até hoje acho estranho quando me chamam de Edmilson. Nasci no dia 25 de maio de 1963. Sou nascido e criado na cidade de Ourinhos, a 19 quilômetros de Salto Grande.
Meu avô, que era mineiro, veio para o interior de São Paulo para trabalhar com barragens na época da construção da Usina de Chavantes, onde ele era carpinteiro, fazia a parte de caixaria, aquela coisa toda para a concretagem. Meu pai, que é paulista, entrou para trabalhar na CESP em 1973. Só que ele trabalhava numa área que precisava viajar muito. Ele era pintor de equipamentos e fazia a parte elétrica quando precisavam em alguma subestação. Então ele ia muito para a Usina de Capivara, para a usina de Pontal, a Usina de Porto Primavera, a e Usina Rosana. Mas na que ele mais trabalhava era a de Capivara. Ele ficou na CESP até 1991, quando se aposentou. Então tive a oportunidade e o privilégio de trabalhar junto com o meu pai, na mesma empresa de 1985 a 1991. Por isso, na minha família, a barragem vem no sangue desde o fim da década de 1960. (...)

Lembro que meu pai e meu avô falavam muito sobre as brincadeiras que existiam lá entre os barrageiros na época deles. Era uma coisa bem sadia, bem para mostrar a união desse povo. E o povo barrageiro, em qualquer lugar que a gente rode, dá para ver que são pessoas diferenciadas. Entre eles tem mais do que amizade, é como se fosse uma família. Meu pai e meu avô tinham muitas saudades daquela ligação que as famílias tinham, porque elas acabam que ficando lincadas, unidas. E isso é muito gostoso.

Quando eu era moleque, o sonho de todo mundo era fazer o colégio técnico e trabalhar em uma grande empresa, aquele negócio todo. (...) Eu fiz o curso técnico de mecânica e penei bastante, porque repeti algumas vezes. Mas sempre quis aprender bastante. Acho que na vida tudo acontece na hora certa, no momento certo. Eu entrei na CESP por muita sorte, parece que foi predestinado. Porque na época, fiz concurso para um estágio em Chavantes junto com aquela molecada saindo da escola recentemente, todo mundo procurando emprego. Eu trabalhava numa concessionária da Chevrolet de Ourinhos e, lógico, com meu pai trabalhando na CESP e sendo o sonho de todos os jovens trabalhar numa empresa grande, estatal, eu queria muito passar. Acontece que fiquei em segundo lugar, não fui aprovado em primeira instância. Mas o primeiro colocado, um grande amigo meu, estava viajando. Como na época não existia celular, só dava para se comunicar por telefone ou telegrama. E foi mandado um telegrama, mas onde ele estava não tinha. Então fiquei na expectativa, mas sem saber que era ele. Entrei em contato com a empresa, e disseram para eu aguardar: “Até na quinta-feira o senhor vai ter uma resposta sobre se a pessoa que passou em primeiro lugar se apresentou.” E ele não apareceu. Ligaram para mim e avisaram para comparecer. Fui com aquela alegria toda." (Trechos da entrevista realizada em 02/07/2012)