Memória Paranapanema - Usinas Canoas I e II - Eliseu Nogueira de Andrade http://www.memoriaparanapanema.com.br/midia/Eliseu.mp4

Eliseu Nogueira de Andrade

"Meu nome é Eliseu Nogueira de Andrade. Nasci em 28 de outubro de 1961. Logo mais eu completo 51 anos, precisa fazer uma festa, né! Sou de Ibirarama, cidade grande, hein! Eu sou de uma família que veio da roça. Meu pai era roceiro, bateu cabeça bastante lá na região do Paraná, imaginando e sonhando com o desbravamento de grandes terras. Nessas aventuras, ele perdeu tudo o que tinha: teve que vender o sítio e até o cavalo. Perdemos tudo e fomos morar em Chavantes. Nessa época, em 1969, a usina de lá estava no meio da construção mais ou menos.
Meu pai faleceu há cinco anos e minha mãe há sete. Bom, nós somos em 10 irmãos, seis homens e quatro mulheres, todos vivos, graças a Deus! Antigamente, isso não era tão estranho. A minha família sempre foi grande, tenho tios que tem 11 filhos (...).
Crescemos em Chavantes e São Paulo foi o nosso limite. Naquela época, era normal se formar no colégio técnico em Chavantes com 18, 19 anos e zarpar para São Paulo. O pessoal conseguia emprego e por lá ficava. Isso aconteceu com os meus irmãos. Comigo não porque sou de uma época um pouco mais recente. Fui tentar me aventurar em São Paulo em 1983, quando terminei o colégio técnico. Fiz o estágio na Volkswagen durante um ano, mas quando fui tentar emprego em São Paulo, era um tempo de desemprego cruel. Então não consegui e retornei para Chavantes para trabalhar nas firmas metalúrgicas da região. Isso até entrar na CESP, em 1989.
A CESP sempre foi uma empresa que tinha um atrativo, chamava atenção de pessoas para compor o quadro dela. Chavantes era uma cidade muito pequena, então o sonho das pessoas, daqueles que não iam para São Paulo, era trabalhar na CESP. Só que eram poucas vagas, e trocava-se de funcionários muito raramente, porque nessa época ela era uma empresa nova, com funcionários novos. Meu currículo estava sempre sendo renovado na CESP. Eu trabalhava numa metalúrgica em Ourinhos e ficava sabendo quando um entrava, quando outro saía e tal. Fui renovando o currículo, até que chegou a minha vez de ser chamado, de fazer os testes e tal. Era um sonho na época estar entrando, era uma empresa boa.
Eu tinha seis anos de outras empresas na área de metalurgia, de estruturas metálicas. Mas não tinha o conhecimento de como era por dentro, só por fora. Não sabia o que era uma máquina, ou uma comporta, o que era pórtico e frequência. A principio foi aquele susto de chegar e ver aqueles equipamentos. Acho que todo mundo passa por isso quando vê aqueles equipamentos grandes, monstruosos, peças grandes e chaves então a gente assusta um pouco. Mas é questão de ter paciência e ir procurando aprender, procurando se desenvolver dentro da empresa. Comecei como operador de subestação e usina. Depois de pouco tempo, fui para a área de manutenção e mecânica, que era onde estava a necessidade da época. Comecei a trabalhar em oficina, o que não era tão diferente do que eu fazia antes. Mas com o passar do tempo é óbvio, desci para a usina. Isso desde 1992.
Naquela época, era muito diferente ser um operador, que era um técnico de produção, e ser um técnico ou mecânico de manutenção. Isso porque as regras do setor elétrico eram outras, não tinha tantas empresas. Eram pouquíssimas as usinas pequenininhas, porque as grandes foram passadas para a CESP. As duas áreas formavam quase como duas empresas diferentes numa só. Porém, é lógico que a todo instante tinha o cruzamento entre os dois setores, que era bem feito e bem legal, não tinha muita encrenca nem muito atrito." (Trechos da entrevista realizada em 13/09/2012)