Memória Paranapanema - Usina Taquaruçu - Hermenegildo Donizete Montanholi http://www.memoriaparanapanema.com.br/midia/Hermenegildo.mp4

Hermenegildo Donizete Montanholi

"Meu nome completo é Hermenegildo Donizete Montanholi, nasci em 23 de dezembro de 1964 em um município do interior do Estado de São Paulo chamado Monte Castelo. Sou Montecastelense. Há muitos anos que eu não passo lá (...). Cresci em outra cidade do interior chamada Panorama, que fica bem na barranca do rio Paraná.
Na época de minha adolescência a única oportunidade de estudar foi fazer um curso técnico de eletrônica em outra localidade. A minha formatura aconteceu em 1983. Logo em seguida, surgiu uma oportunidade de emprego no Estado do Mato Grosso do Sul, onde estava sendo criado um novo órgão estadual. Este trabalho surgiu por influência de meu pai, que trabalhava no estado, e na época tinha muito contato político lá (...). Trabalhei nessa empresa durante quatro anos e sete meses, mais ou menos. Ela era voltada para o ramo de agropecuária. Realmente, não tinha nada a ver com o que eu tinha estudado! (...).
Então, comecei a estudar novamente e a rever o meu curso técnico para prestar concursos na área de Eletrônica. Prestei o primeiro na CESP, na usina de Jupiá, em 1988, e fui mal pra caramba. Mas não tinha nem como ter um bom desempenho porque estava afastado da área técnica há muito tempo. Estudei mais um pouco e surgiu outro concurso, na CESP mesmo, mas para a região do Pontal do Paranapanema (...). Prestei e passei. Antes disso, com o intuito de trabalhar na área técnica, eu já trabalhava numa empresa prestadora de serviço para a CESP neste mesmo setor (...). Entrei na empresa como operador de usina e subestação e fiz vários cursos na parte de operação.
Depois vim trabalhar aqui na subestação, que antigamente era um pouco menor. O prédio onde trabalho chama-se Edifício Comando, mas não existia antes. A usina só tinha a parte de concreto. Não existiam máquinas operando, painéis, essas coisas todas. O lago passava do outro lado. Eu cheguei nessa época e fiquei nove meses trabalhando como operador. Só que a operação era muito restrita. Não tinha nada funcionando, apenas a subestação ali. A gente operava pouco as linhas, disjuntores. O sistema interligado não era tão complexo como é hoje. Ah! E havia turnos também.
Depois desses nove meses, começou a montagem das máquinas de Taquaruçu. Isso foi de 1990 para 1991 (...). Nesse período, acompanhei toda a montagem da usina de Taquaruçu, desde o gerador, passando pela turbina até os painéis. Depois teve uma fase em que eu já estava mais aperfeiçoado, porque fiz mais cursos, e comecei a assumir cargos dentro da área técnica. Também participei do comissionamento direto de todas as máquinas de Taquaruçu. Comissionamento que eu digo é pegar as máquinas “cruas”, montar e botar para funcionar. Ou seja, os cinco geradores e os periféricos, que formam a parte que auxilia o equipamento. No começo, eu também trabalhei emprestado para a construção, na fiscalização das montagens de equipamentos elétricos. Eu fiz serviços em tudo que envolvia a parte elétrica aqui. Minha carreira dentro da empresa foi assim.
Depois de 1998, quando teve a reestruturação para a empresa privada, o chefe quis mudar algumas coisas. Como eu tinha bastante experiência na área de operação, fui auxiliar o pessoal nesse setor. Saí da área técnica e passei para a área de operação, onde estou há dez anos. Como tinha muita gente emprestada na área de operação, quando teve o comissionamento das máquinas, fui até coordenador da usina aqui. Existia essa coisa de pegar o técnico daqui e emprestar para fazer tal serviço. Então, no final, a coordenação de sete ou oito subordinados acabou sobrando para mim, porque eu tinha um pouquinho mais de experiência. Trabalhei nessa parte durante uns seis meses, mais ou menos. Era muita correria e responsabilidade." (Trechos da entrevista realizada em 28/08/2012)